Verstappen e Lawson são punidos após choque em treino livre no México
por Fernando | por Fernando
A sexta-feira de treinos livres no Autódromo Hermanos Rodríguez reservou um roteiro pouco comum e que rapidamente incendiou o paddock da Fórmula 1. O que deveria ter sido apenas uma rodada de testes e ajustes de acerto se transformou em uma rusga aberta entre companheiros da mesma família de equipes. Max Verstappen e Liam Lawson protagonizaram um entrevero desnecessário no início do segundo treino livre (TL2) para o Grande Prêmio da Cidade do México, culminando em batida e intervenção imediata da direção de prova.
O choque, que causou avarias na asa dianteira do carro da Racing Bulls e espalhou detritos pela pista, acabou interrompendo as atividades com bandeira vermelha. Diante da gravidade da disputa em um momento sem disputa de posições, os comissários da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) decidiram agir com dureza. Ambos os pilotos foram sancionados com a perda de uma posição no grid de largada da corrida principal.
O enrosco desnecessário na entrada do estádio
O relógio marcava cerca de quinze minutos de sessão no TL2 quando o clima esquentou na entrada do estádio. Verstappen iniciava os preparativos para abrir uma volta cronometrada, no momento que Lawson vinha em ritmo mais lento, completando uma volta de desaceleração para recarregar as baterias. O neozelandês, no entanto, não facilitou a ultrapassagem ao perceber a aproximação da Red Bull.
A faísca virou fogo rapidamente. Agressividade pura tomou conta do trecho lento:
- Verstappen colocou o carro por dentro na curva 12 para forçar a passagem.
- Lawson respondeu defendendo a preferência e tracionou lado a lado no contorno da curva 13.
- Na tomada da curva 14, sem espaço para dois carros, o holandês acabou saindo da zebra e os dois se tocaram lateralmente.
A quebra da asa dianteira do neozelandês encerrou a briga na hora. Verstappen chegou a gesticular de dentro do cockpit indignado com a resistência, enquanto Lawson esbravejou no rádio acusando o tetracampeão de jogar o carro diretamente contra ele.
A punição dos comissários da FIA
Convocados logo após o encerramento do treino, os representantes das duas equipes e os dois pilotos sentaram com os comissários para explicar a disputa. O tom adotado pelo colegiado foi severo, tendo em vista o alerta prévio feito a todos os chefes de equipe na reunião matinal sobre a conduta nas sessões livres.
A decisão oficial não poupou críticas ao julgamento de ambos dentro da pista:
"Na aproximação da curva 12, o carro número 3 estava em uma volta de preparação, enquanto o carro número 30 estava em uma volta de desaceleração, preparando-se para outra tentativa de volta rápida. Os pilotos dos dois carros se comportaram de maneira considerada inaceitável pelos comissários, especialmente diante do alerta dado aos chefes de equipe durante uma reunião realizada mais cedo naquele dia".
A nota ainda complementou:
"Ambos os pilotos admitiram que as manobras foram desnecessárias e desajeitadas. Considerando que houve incidentes semelhantes neste ano, envolvendo ações entre pilotos durante os treinos livres, os comissários decidiram aumentar a punição, passando de uma advertência formal para uma penalidade de perda de uma posição no grid".
Declarações fortes e futuro indefinido
Na área de entrevistas, o holandês não escondeu sua irritação ao ser questionado se o toque se tratava de azar. Com o estilo direto que lhe é peculiar, o líder da Red Bull colocou em xeque o discernimento do colega.
"Não foi um comportamento muito inteligente o que ele tentou fazer ali. No fim das contas, isso não vai mudar meu fim de semana, mas, se eu estivesse no lugar dele, agiria de uma forma um pouco mais inteligente. Ainda mais quando você está lutando para garantir sua vaga", disparou Max Verstappen.
A alfinetada tem peso estratégico nos bastidores. Dado que o assento da Racing Bulls para os próximos anos ainda não está assegurado, onde qualquer erro contra a equipe principal repercute de maneira negativa. Lawson ainda está no radar de renovação por conta do bom desempenho com o carro intermediário, mas a cobrança interna na Red Bull costuma ser implacável. O neozelandês, por sua vez, preferiu manter o foco na recuperação do carro, evitando rebater publicamente a declaração.