Vai começar os Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026
por Fernando
Depois de anos de espera, planejamento e expectativa, os Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026 estão oficialmente prontos para começar. O evento, que marca o retorno da Itália como palco olímpico depois de duas décadas, desde Turim 2006, promete entregar uma edição repleta de inovação, emoção e, é claro, muito frio.
Com a cerimônia de abertura marcada para o dia 6 de fevereiro de 2026, a partir de 16h, no horário de Brasília, a Itália está prestes a se tornar novamente o centro das atenções esportivas do planeta. Milão e Cortina d’Ampezzo dividirão as principais modalidades, unindo o charme urbano de uma das capitais da moda com o visual alpino que parece ter saído de um cartão-postal.
“Mais do que um evento esportivo, Milão-Cortina 2026 será uma celebração da união entre tradição e modernidade”, destaca Giovanni Malagò, presidente do Comitê Olímpico Italiano.
Uma olimpíada distribuída, sustentável e inovadora
Uma das grandes marcas dos Jogos deste ano é a sustentabilidade. Tendo como base um modelo de reaproveitamento e responsabilidade climática, onde cerca de 93% das instalações utilizadas são pré-existentes, algumas delas renovadas de forma minuciosa, outras modernizadas com novas tecnologias ecológicas.
É uma clara mudança de paradigma no movimento olímpico, dado que nas edições anteriores houve críticas por gastos excessivos e construções desnecessárias. Agora, a ideia é mostrar que é possível realizar um megaevento de forma eficiente e consciente.
Além disso, a distribuição geográfica foi pensada para aproveitar ao máximo o melhor de cada região. Milão receberá as competições de patinação, hóquei no gelo e curling, enquanto Cortina d’Ampezzo, um ícone dos esportes de inverno desde os anos 1950, sediará as provas de esqui alpino e snowboard, entre outras.
Quem visitar o norte da Itália vai sentir esse clima de integração entre cidade e montanha. É uma combinação que mistura o ritmo intenso milanês com a tranquilidade das Dolomitas.
Brasil e América do Sul tentando se firmar

Conforme já destacamos aqui, o Brasil estará presente mais uma vez, ainda que com uma delegação modesta. Depois de resultados simbólicos em edições anteriores, o país busca expandir sua participação e garantir presença em mais modalidades.
Entre os destaques brasileiros, aparecem nomes como Nicole Silveira, do skeleton, que vem tendo bons desempenhos na Copa do Mundo, e Edson Bindilatti, veterano do bobsled, que disputará sua quinta Olimpíada. Não dá para dizer que somos favoritos a medalha, mas a presença brasileira cresce de forma constante, o que já é significativo.
Além do Brasil, outros países sul-americanos, como Chile e Argentina, tentam aproveitar o impulso do cenário europeu para se consolidar. É o que se pode chamar de um processo lento, mas valioso. Afinal, as condições climáticas na América do Sul não ajudam tanto, dado que nossas “montanhas nevadas” são bem diferentes das europeias.
Expectativas e destaques esportivos
Ao todo, 16 dias de competições estão programados, com mais de 100 eventos e 2.900 atletas de aproximadamente 90 países. Os olhos do mundo estarão voltados para nomes consagrados e promessas que podem brilhar pela primeira vez em uma Olimpíada.
O esqui e o snowboard, como é de praxe, devem concentrar boa parte da atenção do público, até porque, convenhamos, são esportes tão perigosos quanto fascinantes. Atletas como Mikaela Shiffrin (EUA), Marco Odermatt (Suíça) e Chloe Kim (EUA) chegam como grandes favoritos.
Por outro lado, o patinador japonês Yuma Kagiyama, prata em Pequim 2022, busca marcar seu nome definitivamente na história. Já o norueguês Johannes Thingnes Bø, multicampeão do biatlo, tenta ampliar ainda mais sua coleção de medalhas.
“Estamos diante da mais equilibrada Olimpíada de Inverno dos últimos tempos. As margens entre vitória e frustração estão cada vez mais curtas”, comentou um analista da Eurosport.
O simbolismo de Milão-Cortina 2026
Os Jogos de Inverno de 2026 também têm um peso simbólico. Representam a retomada da Itália em grande estilo no cenário esportivo global, depois de anos desafiadores marcados pela pandemia e pela instabilidade europeia. A Olimpíada chega como uma espécie de recomeço, de renovação, um sopro de esperança para tempos mais frios, no sentido literal e metafórico.
“Milão-Cortina 2026 será mais do que uma competição, será uma ponte entre gerações do esporte de inverno italiano”, afirmou recentemente Thomas Bach, presidente do COI.
Há também o resgate do legado olímpico italiano. Cortina d’Ampezzo foi palco, lá em 1956, dos primeiros Jogos de Inverno realizados no país. Repetir esse cenário setenta anos depois é, sem dúvida, algo histórico.