As novas regras que passam a valer na Copa do Mundo de 2026
por Fernando
Antes mesmo da partida do Brasil contra Marrocos, é bom estar atenta a uma mudança importante na condução do jogo pela arbitragem. A Copa do Mundo de 2026 chega com um pacote de mudanças que mira direto em um velho vilão, o atraso de jogo, a famosa "cera" que irrita torcedor e jogador, além da preocupação da Fifa em deixar a bola rolando por mais tempo. As decisões recentes do International Football Association Board (IFAB), as novas diretrizes começam a valer no Mundial e, depois, se espalham para outras competições a partir de julho de 2026.
Pierluigi Collina, chefe da comissão de arbitragem da Fifa, deixou claro que a ideia não é criar um novo futebol, mas reduzir ao máximo o tempo morto.
"Não queremos mais ver minutos preciosos sendo desperdiçados com demora para repor a bola ou substituições arrastadas", afirmou Collina, reforçando que o foco é "proteger o espetáculo e quem veio para ver o jogo, não a cera".
Lateral com contagem de cinco segundos
A partir de agora, se o árbitro entender que a cobrança de lateral está demorando mais do que o normal ou sendo atrasada de propósito, ele poderá acionar uma contagem visível de cinco segundos para a reposição. Se o lateral não for cobrado dentro desse tempo, a posse de bola passa automaticamente para o time adversário.
Tendo em vista o histórico recente de jogos em que um simples lateral vira novela, a Fifa quer deixar o recado claro.
Tiro de meta sob a mesma lógica
O tiro de meta entra exatamente no mesmo pacote do lateral, mantendo a lógica de cinco segundos após o árbitro sinalizar que a reposição está demorando demais. Se o goleiro ou o cobrador não executar o tiro de meta dentro do prazo, a punição é pesada, o rival ganha um escanteio.
Os treinadores já começaram a se posicionar sobre a mudança.
"Nós sempre pedimos mais tempo de bola em jogo, então não dá para reclamar agora, quem quiser fazer cera no tiro de meta vai pagar caro com um escanteio contra", avaliou Pep Guardiola, ressaltando que "o torcedor não vem ao estádio para ver goleiro ajeitando meia e conversando com zagueiro"..
Substituições cronometradas
Outra área que entra na mira das novas regras é a substituição, que ainda está entre os momentos mais usados para esfriar o jogo. O jogador que tiver o número exibido na placa passa a ter dez segundos para deixar o gramado, devendo sair pelo ponto mais próximo da linha lateral ou de fundo.
Se essa janela de dez segundos for estourada, o atleta substituído precisa sair de qualquer jeito, mas o reserva terá que esperar pelo menos um minuto de bola rolando e a próxima paralisação para entrar, deixando sua equipe com um a menos nesse intervalo.
Atendimento médico fora de campo
Considerando o aumento de paradas para atendimento médico, a Fifa ajustou também esse protocolo. Sempre que o jogo for interrompido por lesão e o jogador precisar sair de campo, ele terá de permanecer fora por, ao menos, 60 segundos de tempo corrido após o reinício antes de retornar ao gramado.
A ideia é clara: desencorajar qualquer simulação que tenha como objetivo apenas esfriar a partida.
"Se o atleta realmente precisa de atendimento, esse um minuto não será um problema, se for uma estratégia de atraso, o time vai pensar duas vezes antes de tentar", explicou Collina.
Ajustes no protocolo do VAR
O protocolo do VAR também está de volta ao centro das discussões, com novas possibilidades de intervenção em lances específicos. Agora, o árbitro de vídeo poderá revisar: cartões vermelhos oriundos de um segundo amarelo claramente incorreto, casos de identificação errada do time ou do jogador punido e marcações de escanteio, desde que a checagem seja concluída sem atrasar a retomada do jogo.
Ainda está em debate o limite entre corrigir injustiças e parar demais a partida, mas a Fifa defende que o equilíbrio é possível.
"O VAR não pode ser sinônimo de eternidade, ele deve corrigir erros claros e óbvios, mantendo o fluxo da partida", disse Collina.
Lesões de goleiros e táticas de interrupção
Outro ponto sensível são as interrupções por lesões de goleiros, que costumam parar completamente o jogo e, às vezes, esconder uma estratégia tática. A orientação para a arbitragem é analisar com ainda mais cuidado se a queda do goleiro tem fundamento físico ou se é apenas um recurso para matar o ritmo do adversário.
Tendo em vista que muitos treinadores utilizavam esse expediente em momentos de pressão, a expectativa é de que o recurso desapareça aos poucos à medida que as punições forem aplicadas.
O que muda para a Copa do Mundo?
Na prática, a Copa do Mundo de 2026 deve apresentar partidas com menos interrupções artificiais, mais ritmo e menos espaço para manobras de cera, como é a intenção declarada da Fifa. Laterais e tiros de meta passam a ter relógio, substituições deixam de ser desfile e atendimentos médicos ficam mais controlados, tudo junto com um VAR ligeiramente mais amplo, porém pressionado a não travar o espetáculo.