Haiti e Turquia são os primeiros eliminados da Copa do Mundo 2026
por Fernando
A Copa do Mundo de 2026 é a primeira edição em que o confronto direto aparece como primeiro critério de desempate na fase de grupos, à frente do saldo de gols e dos gols marcados. Ou seja, quando duas ou mais seleções terminam empatadas em pontos, a tabela passa a ser resolvida primeiro pelo que aconteceu dentro dos duelos entre elas, só depois entrando saldo, gols pró, fair play e, se necessário, ranking da Fifa.
Na prática, isso faz com que certas combinações de resultados eliminem uma equipe com uma rodada de antecedência, mesmo que ela ainda possa alcançar a mesma pontuação dos rivais. Foi exatamente esse o cenário de Haiti e Turquia: as duas seleções perderam não só pontos, mas sobretudo os confrontos que importavam diretamente na briga pela vaga.
O caminho do Haiti no Grupo C
O Haiti caiu em um Grupo C pesadíssimo, com Brasil, Escócia e Marrocos, e acabou pagando caro por cada detalhe. A seleção caribenha estreou perdendo por 1 a 0 para a Escócia e, na sequência, foi dominada pelo Brasil, que venceu por 3 a 0, resultado que carimbou a eliminação antecipada.
Com duas derrotas em dois jogos, o Haiti ainda pode chegar a três pontos se vencer Marrocos na última rodada, mas já não alcança mais os escoceses, pois perdeu o confronto direto com a Escócia. O curioso é que em Copas anteriores o torcedor provavelmente ainda faria conta de saldo de gols, mas agora, com a mudança, a matemática do grupo ficou bem mais fria para os haitianos.
No entanto, mesmo com a eliminação confirmada, a federação haitiana frisou o orgulho pela campanha, destacando o simbolismo de estar de volta a um Mundial depois de tantas dificuldades estruturais e sociais no país.
Em nota, a entidade chegou a afirmar que "estamos orgulhosos do que essa equipe representou para o povo do Haiti", valorizando o processo acima do resultado.
A Turquia vai do hype ao tombo no Grupo D

Se o Haiti encara a Copa do Mundo como sonho e vitrine, a Turquia chegou aos Estados Unidos embalada por uma geração badalada e pela expectativa de ir longe no torneio. Só que o Mundial de 2026 virou um pesadelo em tempo recorde, começando com a derrota por 2 a 0 para a Austrália na estreia, seguido pelo revés por 1 a 0 para o Paraguai na segunda rodada, resultados que deixaram a equipe de Arda Güler sem qualquer margem de manobra.
Com zero ponto em dois jogos, os turcos até podem chegar a três se derrotarem os Estados Unidos na última rodada, mas, tendo em vista as duas derrotas nos confrontos diretos com Austrália e Paraguai, não há mais cenário em que avancem no grupo.
Logo após a derrota para o Paraguai, o técnico Vincenzo Montella falou em tom de frustração sobre a eliminação precoce.
"Sabíamos que, com esse regulamento, cada confronto direto seria quase uma decisão. O destino não esteve do nosso lado, mas também não fizemos o suficiente para mudá-lo", resumiu o treinador italiano.
O que fica para Haiti e Turquia?
Junto com a frustração, ficam narrativas bem diferentes para Haiti e Turquia em 2026. Para os haitianos, a participação vale como experiência histórica, vitrine para jogadores e combustível simbólico para um país que segue lidando com crises internas profundas, ou seja, a sensação é de que a seleção ainda está um passo atrás em nível competitivo, mas um passo à frente em visibilidade e confiança.
Já a Turquia sai sob pressão, com a sensação de oportunidade desperdiçada e com a necessidade de revisitar escolhas táticas, psicológicas e de preparação para torneios curtos. Em comum, haitianos e turcos ajudam a contar a primeira grande história de cortes dessa Copa do Mundo 2026, em um Mundial ampliado para 48 seleções e com regulamento redesenhado, não dá mais para brincar com confronto direto, porque a Copa está menos paciente com quem demora a entrar no ritmo da competição.